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Por que junho é o mês do orgulho LGBTQIA+?*

Em algum momento desse mês, você provavelmente já ouviu ou leu que junho é o mês do Orgulho LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexuais, Assexuais). Porém, talvez, você não saiba o porquê da real escolha dessa data.

Essa escolha se deve aos fatos que aconteceram na madrugada de 28 de junho de 1969, quando a polícia invadiu um bar na cidade de Nova York, chamado STONEWALL INN, o qual era reduto de homossexuais e tornou-se o lugar perfeito para que a polícia atingisse suas metas de detenções na época.

Nesse local, eram corriqueiras as batidas policiais e cenas de preconceito, até que, um dia, os frequentadores resolveram se levantar contra tais atos. Os conflitos, cada vez mais abertos, acabaram chamando a atenção para as condições a que o grupo era submetido, dando maior visibilidade às pessoas LGBTQIA+. A partir de então, aquela comunidade começou a reivindicar várias coisas por direito, que antes não lhe era garantido, mas em primeiro lugar, o direito à visibilidade.

Antes de Stonewall, em 1924, surgiu nos Estados Unidos a primeira organização gay. Inicialmente como uma experiência introdutória que se inspirou em acontecimentos de alguns anos antes ocorridos na Alemanha.

Em 1933, nos Estados Unidos, houve a liberação por parte do governo da comercialização de álcool novamente, acarretando o fim da lei seca. Em virtude disso, várias cidades norte-americanas presenciaram a abertura de bares e estabelecimentos que comercializavam bebidas alcoólicas, os quais, por muitas vezes, não eram autorizados por serem voltados ao público homossexual e, por essa razão, os poucos espaços existentes ou eram mantidos pela máfia ou pagavam suborno a policiais, sendo essa a prática que deu origem aos trágicos acontecimentos ocorridos em STONEWALL, anos depois.

Em meados de 1940, a forte influência da Segunda Guerra Mundial aliada aos severos impactos suportados por diversos setores da sociedade mundial, possibilitaram o aumento de mulheres no mercado de trabalho, resultando também em uma maior influência do ativismo homossexual.

As mulheres, por sua vez, ajudaram a formar redes de suporte e relacionamento entre homossexuais. Isso aconteceu em plena Segunda Guerra Mundial, ocasião em que mulheres que permaneceram nos Estados Unidos e homens que estavam em fronts de batalha compartilhavam variadas experiências, o que posteriormente serviu como base para grandes transformações da sociedade em geral, mas principalmente, na comunidade homossexual.

A data de 1º de julho de 1970, representa um marco histórico para o movimento LGBTQIA+, pois além da 1ª PARADA DO ORGULHO LGBTQIA+, ocorrida nos EUA, o dia foi marcado por vários protestos pacíficos, ocorridos em diversas cidades americanas, todos com o objetivo de relembrar o trágico episódio ocorrido um ano antes em ATONEWALL.

No Brasil, a história do movimento LGBTQIA+ surgiu na década de 1970, coincidindo com a época da ditadura militar e o movimento estudantil, que na ocasião lutava contra a repressão advinda do autoritarismo e a politização do movimento sexual.

Algum tempo depois, mais precisamente na década de 1980, a comunidade homossexual se organizava em prol da luta contra o vírus HIV. O primeiro caso no Brasil foi identificado em 1982, atingindo diretamente homossexuais e transexuais.

Porém, nem só de acontecimentos tristes essa história é escrita. Alguns pontos merecem destaque:

  • em 1996, a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex realizou a 17ª Conferência da Ilga no Rio de Janeiro, reunindo pelo menos 500 pessoas que reivindicavam direitos LGBTQIA+;
  • em 1997, ocorreu a 1ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ em São Paulo;
  • em 2002, o Conselho Federal de Medicina autorizou as cirurgias de redesignação sexual, a qual passa a ser ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS);
  • em 2011, houve o reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal à união civil estável entre pessoas do mesmo sexo e, em 2013, o conselho nacional permitiu o casamento civil entre homossexuais e também a conversão de uniões estáveis homoafetivas em casamentos civis;
  • em 2016, o nome social, que nada mais é do que aquele que pessoas transexuais e travestis, por exemplo, usam para se identificar, começou a ser permitido para atendimentos no SUS e, em 2013, o governo federal permitiu o seu uso no ENEM;
  • em 2018, o Supremo Tribunal Federal determinou que os transgêneros pudessem alterar em cartório o nome e o registro de sexo presente em seus registros civis, se assim desejarem;
  • em 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu também a favor da criminalização da homofobia e da transfobia, equiparando-se juridicamente ao racismo;
  • em 2020, o Supremo Tribunal Federal derrubou, em maio, as normas sanitárias que proibiam de doar sangue, homens que tiveram relações sexuais com outros homens nos 12 meses que antecediam a doação.

Mais que um ato de lembrança de STONEWALL, o dia 28 de junho, em qualquer lugar do mundo, serve para demonstrar que a luta contra a opressão e a favor dos direitos homossexuais deve ser constante.

Por isso, o mês de junho representa de forma brilhante a luta de muitas histórias ao longo desses anos, servindo de inspiração para que todas as vozes do movimento LGBTQIA+ fossem e permanecessem sendo ouvidas, para que, em um futuro não muito distante, ninguém mais precise levantar bandeiras e afirmar que todos são iguais.

*Por Bel. Elida Piovesana do Nascimento e Rodrigo Lima Arnoud 

Referências
SILVA, Alessandro Soares. Marchando pelo arco-íris da política: a parada Orgulho LGBT na construção da consciência coletiva dos movimentos LGBT no Brasil, Espanha e Portugal. 2006. 636 f. Tese. (Doutorado em Psicologia Social). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
FÁBIO, André. A trajetória e as conquistas do movimento LGBTI brasileiro. Nexo Jornal. 17 junho de 2017 (atualizado em 27/05/2020). Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/explicado/2017/06/17/A-trajet%C3%B3ria-e-as-conquistas-do-movimento-LGBT-brasileiro)> Acesso em: 24/06/2020.

 





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